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Modern data stack · · 5 min de leitura

Quando vale montar uma estrutura de dados (e quando ainda é cedo)

Por Eder Alves, Fundador e engenheiro de dados

Quando vale montar uma estrutura de dados (e quando ainda é cedo)

A pergunta que quase toda empresa faz primeiro é qual ferramenta usar. Power BI ou Metabase, Postgres ou BigQuery, esta ou aquela. A pergunta certa vem antes dessa: já chegou a hora de estruturar?

Estruturar dados custa tempo da sua equipe e custa dinheiro. Feito cedo demais, produz uma infraestrutura bem construída que ninguém abre, e a empresa passa a manter algo que não mudou nenhuma decisão. Feito tarde demais, a empresa passa anos decidindo no escuro e pagando por isso sem perceber. Os sinais abaixo servem para separar um caso do outro.

Sinal 1: o mesmo número aparece diferente em dois lugares

Este é o sinal mais fácil de reconhecer e o mais fácil de deixar passar. Alguém apresenta o faturamento do mês na reunião, outra pessoa abre uma planilha e chega a um valor diferente, e a reunião para para descobrir qual dos dois está certo.

Quando isso acontece, a discussão costuma virar sobre quem errou. Raramente é isso. Na maior parte das vezes os dois números estão corretos dentro da própria regra: um considera o pedido faturado, o outro considera o pedido pago; um desconta devolução, o outro não. O que falta é uma definição única de faturamento, escrita num lugar só, que todos os relatórios usem.

O custo aqui não está no tempo da reunião. Está no fato de a empresa começar a desconfiar dos próprios números, e a partir daí toda decisão passa a exigir uma conferência manual antes. Esse imposto invisível cresce sozinho conforme a empresa contrata mais gente e abre mais frentes.

Sinal 2: uma decisão recorrente está esperando os dados

O segundo sinal aparece no calendário. Se o fechamento leva três dias e a diretoria só consegue decidir no quarto, a empresa está pagando três dias de atraso todo mês em cima de decisões de preço, compra e estoque.

Vale fazer essa conta uma vez. Quanto custou a última reposição feita com uma semana de atraso? Quantas vezes no ano vocês compraram a mais porque o número da venda real só apareceu depois? Esse valor nunca aparece numa planilha de custo, e costuma ser maior do que o investimento em estruturar.

Há um teste rápido para esse sinal. Pergunte ao seu time quanto tempo levaria hoje para responder qual foi a margem por produto no mês passado. Se a resposta vier em dias, e essa for uma pergunta que se repete todo mês, o problema já é estrutural.

Sinal 3: uma única pessoa sabe atualizar a planilha

O terceiro sinal é o mais desconfortável de admitir. Existe uma planilha que a empresa usa para decidir, e uma pessoa só sabe atualizá-la. Ela conhece a ordem das abas, sabe quais colunas não podem ser tocadas e lembra do ajuste que precisa ser feito à mão todo fechamento.

Enquanto essa pessoa está por perto, isso passa por eficiência. No dia em que ela sai de férias, muda de área ou pede demissão, a empresa descobre que apoiou uma função crítica em uma pessoa e um arquivo. Já vimos empresa passar um trimestre inteiro sem indicador porque o arquivo abria com erro e ninguém sabia por quê.

A questão aqui não tem a ver com confiar ou não na pessoa. Conhecimento que mora só na cabeça de alguém não é um ativo da empresa, e os dados que sustentam decisão precisam ser.

E quando ainda é cedo

Nem toda empresa que nos procura precisa de estrutura agora, e dizemos isso quando é o caso. Três situações costumam indicar que o momento ainda não chegou.

A primeira é quando a operação inteira cabe confortavelmente em um sistema só, e esse sistema já emite os relatórios que a diretoria usa. Montar uma camada de dados por cima adiciona manutenção sem adicionar resposta.

A segunda é quando a empresa toma poucas decisões recorrentes com base em número. Se a decisão é anual, uma planilha bem feita resolve, e resolve mais barato.

A terceira é a operação ainda instável. Se o processo de venda muda a cada dois meses porque a empresa está procurando seu modelo, qualquer definição de métrica que a gente escreva hoje estará errada em março. Nesses casos, organizar bem o que já existe rende mais do que construir algo novo, e o momento certo aparece sozinho quando o processo assenta.

A ordem que funciona

Quando os sinais aparecem, o caminho é praticamente o mesmo em todos os casos, e ele tem uma ordem que importa.

Primeiro, centralizar. As fontes que a empresa já usa, o ERP, o e-commerce, o CRM e as planilhas que sobraram, passam a alimentar uma base única, atualizada sozinha todo dia. Nada de novo é inventado nesta etapa: os dados que já existiam passam a viver num lugar só.

Depois, definir. Cada métrica que a empresa usa para decidir ganha uma definição escrita e um cálculo único. Faturamento, margem, ticket médio, custo de aquisição. É a etapa que ninguém vê e a que mais muda o resultado, porque é ela que faz dois relatórios diferentes concordarem.

Só então construir o painel. Com a base única de pé e as métricas definidas, o dashboard vira consequência, e leva dias em vez de meses.

O erro mais caro

A ordem inversa é o erro mais comum que encontramos, e ele quase sempre tem a mesma origem: a empresa contratou um painel porque painel é o que dá para ver. O resultado é previsível. O painel fica bonito, é apresentado numa reunião, e três meses depois ninguém abre, porque cada número dentro dele ainda depende de alguém alimentar uma planilha à mão.

Se você reconheceu algum dos três sinais e está pensando em por onde começar, o próximo passo raramente é escolher a ferramenta. É descobrir em que estágio a sua operação está hoje, porque isso muda por completo o que faz sentido fazer primeiro.

Antes de falar com alguém

E na sua empresa: já chegou a hora, ou ainda é cedo?

Os três sinais deste artigo são fáceis de reconhecer de longe e difíceis de julgar por dentro. O diagnóstico faz as seis perguntas que separam um caso do outro e devolve em qual dos dois a sua operação está hoje.

Fazer o diagnóstico

Seis perguntas, cerca de dois minutos. Resultado na hora, sem cadastro.

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