Na reunião de resultados, o financeiro mostra um faturamento de R$ 412 mil. O comercial abre a própria planilha e diz R$ 437 mil. A diretoria trouxe R$ 389 mil. A pauta para até alguém descobrir quem está certo.
Quase sempre os três estão. O financeiro conta a nota emitida, o comercial conta o pedido fechado e a diretoria já desconta devolução. Cada um aplica uma regra razoável, só que nenhuma delas foi escrita em lugar nenhum. A palavra é a mesma, a conta não.
Este texto traz um modelo simples para resolver isso: a ficha de métrica. São sete campos, cabem numa página e valem para qualquer indicador, de faturamento a cliente ativo. Os números do exemplo são ilustrativos.
Os sete campos da ficha
Cada campo responde a uma pergunta que, sem ficha, cada pessoa responde do seu jeito.
Exemplo preenchido: faturamento líquido
Esta é a ficha que resolveria a reunião do começo. Ela não diz que o financeiro estava certo e os outros errados. Ela escolhe uma definição para a palavra "faturamento" e dá nome próprio às outras duas, se a empresa ainda precisar delas.
O pedido fechado do comercial continua útil, só que com outro nome: "pedidos fechados" ou "carteira". Duas métricas com nomes diferentes não brigam numa reunião. Duas versões com o mesmo nome, sim.
Onde guardar a ficha
A regra de ouro é ser um lugar só, que todo relatório consulta. Pode ser um glossário numa página interna ou, se a empresa já tem uma base de dados com transformações versionadas, o próprio arquivo que calcula a métrica. Com dbt, por exemplo, a ficha cabe na descrição do modelo:
yaml
# models/metricas.yml
- name: faturamento_liquido
description: >
Notas emitidas menos devoluções e cancelamentos.
Sem frete e sem venda entre filiais.
Data: emissão da nota.
meta:
pergunta: quanto vendemos de fato no mês
fonte: erp.notas_fiscais, erp.devolucoes
grao: nota_fiscal
dono: financeiro
Guardar junto do código tem uma vantagem prática: quando alguém muda a conta, muda a descrição no mesmo lugar, e a mudança fica registrada com data e autor.
Como começar sem parar a empresa
- Liste as métricas que aparecem nas reuniões. Costumam ser poucas: faturamento, margem, ticket médio, clientes ativos, inadimplência.
- Escolha a que mais gera discussão. Quase sempre é o faturamento ou a margem.
- Junte quem usa o número e preencha a ficha juntos. A conversa sobre os filtros é a parte mais valiosa: é ali que aparecem as regras que só existiam na cabeça de alguém.
- Troque a regra nos relatórios. Todo relatório que mostra a métrica passa a usar a ficha. O que não puder usar ganha outro nome.
- Repita uma métrica por semana. Em um mês, as discussões de qual número está certo costumam sumir das reuniões.