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Margem e rentabilidade · · 2 min de leitura

Por que o ERP mostra a margem errada (e como juntar os custos que faltam)

Capa: por que o ERP mostra a margem errada. 45% riscado e 19% em carmim, números ilustrativos.

Peça ao ERP a margem de um produto e ele responde rápido: preço de venda menos custo do produto. O número costuma ser bonito. O problema é que ele conta só a parte da venda que o ERP enxerga.

Entre o preço e o dinheiro que de fato fica, uma venda ainda paga frete, taxa do cartão, comissão, desconto e, às vezes, a devolução. Esses custos são reais, aparecem no caixa, mas quase nunca estão no mesmo sistema que calcula a margem.

Este texto mostra onde cada custo mora, por que a margem do ERP engana e um passo a passo para juntar tudo numa tabela só.

Uma venda de R$ 100, custo por custo

Os números abaixo são ilustrativos, mas o desenho se repete em muita empresa que vende produto.

ItemValorOnde o dado mora
Preço de vendaR$ 100ERP
Custo do produto−R$ 55ERP
Margem que o ERP mostraR$ 45 (45%)ERP
Frete−R$ 8Transportadora ou plataforma de envio
Desconto−R$ 6PDV, e-commerce ou anotado pelo vendedor
Comissão−R$ 5Planilha do comercial ou do RH
Taxa do cartão−R$ 4Extrato da maquininha ou do gateway
Devolução−R$ 3Atendimento ou planilha de trocas
Margem que ficaR$ 19 (19%)Nenhum sistema sozinho

O ponto central

A margem real não está errada em nenhum sistema. Ela simplesmente não existe em nenhum deles, porque nenhum enxerga o pedido inteiro.

Por que isso passa despercebido

Cada área olha o próprio número e ele parece fazer sentido. O financeiro vê a taxa do cartão no extrato, a logística vê o frete na fatura da transportadora, o comercial vê a comissão na planilha. Ninguém soma tudo por pedido, e o custo se dilui no mês.

O efeito mais caro aparece no mix. Um produto com margem alta no ERP pode ser justamente o que tem frete mais pesado, mais devolução ou mais desconto. Sem juntar os dados, a empresa empurra esse produto achando que ele sustenta o resultado.

Passo a passo para juntar os custos

  1. Escolha a chave. Quase sempre é o número do pedido. Ele precisa aparecer, do mesmo jeito, em cada fonte: ERP, transportadora, maquininha, planilha de comissão.
  2. Liste as fontes. Para cada custo da venda, anote de qual sistema ele sai e como exportar. Onde não houver número do pedido, anote como ligar (data e valor, nota fiscal, código do cliente).
  3. Monte uma tabela por pedido. Uma linha por pedido, uma coluna por custo. Comece por um mês só.
  4. Calcule a margem por linha. Preço menos todos os custos. Depois agrupe por produto, por cliente e por canal.
  5. Compare com o ERP. A diferença entre a margem do ERP e a margem da tabela é o tamanho do problema. Os produtos com a maior diferença são os primeiros a rever.

text

pedido | produto | venda | custo | frete | desconto | comissao | taxa | devolucao | margem
#4812  | A       | 100   | 55    | 8     | 6        | 5        | 4    | 3         | 19
#4813  | B       | 240   | 150   | 12    | 0        | 12       | 9    | 0         | 57
#4814  | A       | 80    | 41    | 15    | 4        | 4        | 3    | 0         | 13

Do mês avulso para o automático

Fazer isso uma vez numa planilha já muda a conversa sobre preço e mix. O problema é repetir todo mês: exportar cinco fontes, casar pedidos à mão e corrigir o que não bate consome horas e depende de uma pessoa.

O passo seguinte é levar essas fontes para uma base única que se atualiza sozinha, com a regra de cálculo da margem escrita uma vez. Aí a margem real por produto deixa de ser um estudo e vira um número que a empresa vê toda semana.

Desconfie de qualquer margem que vem de um sistema só.

— isbi

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